Fundada em 2018 por físicos e cientistas da computação baseados em San Jose, na Califórnia, a Kepler Computing revelou publicamente o desenvolvimento de uma nova arquitetura voltada para memórias de alta largura de banda (HBM) e cache SRAM. De acordo com a empresa citada pela fonte, a tecnologia busca contornar os gargalos de fornecimento no mercado de computação.
A principal aposta da startup consiste em uma abordagem de empilhamento tridimensional combinada a um novo material proprietário. Com isso, a Kepler afirma conseguir aumentar a densidade dos chips sem depender da cara litografia ultravioleta extrema (EUV), operando diretamente em fábricas de semicondutores já existentes.
Até o momento, a empresa acumulou US$ 468 milhões em financiamentos com o apoio de investidores e empresas como Intel Capital, AMD Ventures, GlobalFoundries, Baillie Gifford e o fundo de Bill Gates, Gates Frontier. Adicionalmente, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos comprometeu-se em julho a destinar até US$ 245 milhões para apoiar o desenvolvimento de tecnologias de memória de inteligência artificial de alto desempenho baseadas em inovações tridimensionais e ferroelétricas.
Grande parte dos testes da Kepler tem ocorrido em Cingapura, em uma instalação da GlobalFoundries (parceira de fabricação e investidora), além de testes realizados em Burlington, Vermont. O cofundador e CEO da Kepler, Debo Olaosebikan, destacou que a explosão na demanda por alternativas de HBM impulsionada pelo ChatGPT em 2022 fez com que a empresa passasse a desenvolver SRAM e HBM em paralelo.
Apesar do otimismo e dos testes realizados em cerca de 2.000 wafers, analistas e executivos apontam que o principal desafio da startup será alcançar a produção em escala. Questões ligadas à introdução de materiais específicos em linhas de produção exigem isolamento rigoroso para evitar contaminações. A Kepler planeja enviar as primeiras amostras de chips HBM ainda neste ano, ampliar a produção em Cingapura no próximo ano e iniciar a fabricação nos Estados Unidos em 2028.
Fonte: A Stealth Startup Thinks It Just Hacked the Memory Shortage


