De acordo com a pesquisadora Timnit Gebru, em entrevista publicada pela revista Wired, o debate atual em torno dos riscos existenciais da inteligência artificial e de teorias sobre o fim da humanidade funciona como uma distração. Para ela, essa narrativa do fim dos tempos desvia a atenção da sociedade dos danos reais e imediatos provocados pelas empresas de tecnologia.
Gebru criticou a forma como as companhias de IA promovem supostos grandes avanços, a exemplo da resolução de problemas matemáticos complexos. Segundo a pesquisadora, essas áreas são elevadas a símbolos de superinteligência por interesses de marketing e pressões de mercado voltadas para aberturas de capital (IPOs), sem passar adequadamente pelo crivo e pela validação das comunidades científicas tradicionais.
A pesquisadora também comentou sobre pedidos recentes de demissão de funcionários da indústria preocupados com a segurança. Embora concorde que as empresas agem de maneira imprudente, Gebru rejeita o foco em cenários onde modelos de IA agiriam de forma autônoma ou senciente. Para ela, a discussão sobre robôs ou programas que decidem eliminar humanos perde o foco central, que deveria ser a responsabilidade dos criadores e construtores da tecnologia.
Entre os perigos reais que deveriam receber maior atenção, Gebru destacou o uso de inteligência artificial em armas autônomas para conflitos armados, a intensificação de crises climáticas devido à infraestrutura do setor, o uso da tecnologia para substituição de trabalhadores e a facilitação na criação de armas químicas e biológicas.
Fonte: One of AI’s Fiercest Critics Says All the Doom Talk Is ‘Meant to Distract Us’