De acordo com a revista WIRED, centenas de milhares de novos colegas de trabalho artificiais estão ingressando no mercado corporativo. Esses agentes de inteligência artificial baseados em grandes modelos de linguagem foram projetados para executar tarefas de forma autônoma, atuando em funções como engenharia, marketing e chefia de gabinete.
A Boston Consulting Group (BCG), representada pela parceira Julie Bedard, apontou que o ecossistema empresarial ainda busca definir a verdadeira natureza desses agentes, que oscilam entre ferramentas, colegas e companheiros. Em janeiro, uma pesquisa da BCG com 1.261 gerentes revelou que 22% das organizações já incluíram agentes de IA em seus organogramas corporativos. A tendência é impulsionada por grandes empresas de tecnologia, como o lançamento do assistente Scout pela Microsoft, voltado para gerenciar reuniões e e-mails.
Para facilitar a integração e incentivar o uso, as companhias frequentemente dotam esses assistentes de características humanas e nomes específicos. A startup Anything, por exemplo, lançou a plataforma Skydive com avatares visuais humanizados e funções voltadas para o atendimento contínuo de demandas e automação de tarefas rotineiras, como contratos e agendamentos. A fundadora da Pronto Housing, Christine Wendell, relatou que sua equipe já interage de forma natural com os agentes, a ponto de afirmar que trabalhou em conjunto com uma agente chamada Alice.
Apesar da utilidade e do alívio nas tarefas repetitivas, a antropomorfização das máquinas traz preocupações. Pesquisas da BCG indicam que gestores identificam 18% menos erros em trabalhos realizados por uma IA quando ela é apresentada como funcionária em vez de ferramenta. Além disso, especialistas como Sarah Franklin, CEO da Lattice, alertam que a criação de conexões emocionais pode ser uma estratégia voltada a gerar dependência nos usuários, com potenciais repercussões comportamentais e existenciais para a força de trabalho humana.
Fonte: AI Agents Are About to Flood the Workforce. No One’s Ready for It