Grandes editoras incorporam inteligência artificial em segredo e geram insatisfação entre funcionários

Enquanto o mercado editorial americano tem criticado publicamente o uso de inteligência artificial generativa, três das cinco principais editoras dos Estados Unidos — HarperCollins, Simon & Schuster e Hachette — vêm adotando essas ferramentas de forma discreta em seus processos internos, conforme relatos de dezenas de funcionários que preferiram o anonimato.

As editoras têm utilizado grandes modelos de linguagem, como Claude e ChatGPT, para redigir e-mails destinados a agentes literários, produzir material de divulgação, criar capas e gerar conteúdos de marketing. Funcionários apontam que o uso de inteligência artificial também tem aparecido na escrita de cartas de rejeição e em traduções de manuscritos.

A adoção gerou atritos internos. Na HarperCollins, líderes compraram licenças de softwares e pressionaram equipes a participar de sessões de brainstorming sobre o uso de IA, cujas preocupações ambientais e éticas levantadas pelos funcionários foram minimizadas pela gestão. Na Simon & Schuster, planos de testar uma ferramenta de monitoramento e automação chamada Skan AI levaram trabalhadores a redigirem uma carta aberta de oposição ao presidente-executivo Greg Greeley, após temores de vigilância e substituição de cargos.

Porta-vozes da Hachette afirmaram apoiar o uso de IA para fins operacionais que ajudem a alcançar leitores, mas rejeitam o uso criativo ou na comunicação com autores. Representantes da Simon & Schuster declararam que o acesso a ferramentas aprovadas é limitado e opcional, visando liberar tempo para trabalhos criativos. A HarperCollins não respondeu aos pedidos de comentário.

Agentes literários também expressaram preocupação com a possibilidade de trechos de manuscritos inéditos serem inseridos em modelos de IA abertos, o que motivou a inclusão de cláusulas contratuais de restrição. Profissionais da indústria cobram maior transparência e diretrizes claras por parte das editoras sobre o uso dessas tecnologias.

Fonte: Book Publishers Are Quietly Using More AI. Staff Are Revolting

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