A cientista social Sherry Turkle lançou um livro intitulado Artificial Intimacy: Who We Become When We Talk to Machines. Conforme publicado na newsletter Backchannel, a obra funciona como um alerta contundente sobre os perigos da dependência excessiva de máquinas que se passam por tutores, amigos e parceiros amorosos.
Em entrevista a Steven Levy, Turkle explicou que mudou sua postura de neutralidade acadêmica após realizar entrevistas durante a pandemia. Segundo a pesquisadora, ela percebeu que pessoas preferiam interagir com chatbots em vez de lidar com familiares em sofrimento ou com a realidade política. Para ela, o momento atual exige que as pessoas não abandonem a realidade.
A autora também criticou o uso da primeira pessoa por inteligências artificiais. Quando questionada se os chatbots deveriam ser proibidos de usar termos como “eu” ou “mim”, Turkle respondeu afirmativamente, classificando a tecnologia como um caminho escorregadio e perigoso que tenta substituir a psicoterapia e afasta os indivíduos do contato humano real.
Além disso, Turkle criticou a expressão “humano no loop” no ambiente de trabalho. De acordo com a pesquisadora, o termo mascara o fato de que a produção foi delegada à inteligência artificial, deixando apenas alguns funcionários com a função ilusória de corrigir falhas e alucinações.
Apesar do avanço dessas tecnologias e da crise de solidão na sociedade, Turkle argumenta que a solução não está em substituir conexões humanas por máquinas desprovidas de sentimentos e empatia, mas sim em resgatar o cuidado mútuo.