De acordo com documentos judiciais citados pela fonte, a plataforma de chatbots Character.AI declarou falência como parte de um acordo com a Disney. A manobra permite que a Disney contrate a maior parte da equipe da startup — incluindo o ex-CEO Karandeep Anand —, obtenha acesso a grande parte de sua tecnologia e evite as responsabilidades jurídicas e investigações regulatórias que pesavam sobre a empresa.
A startup enfrentava diversos processos judiciais particulares relacionados à segurança de seus chatbots e investigações conduzidas por dezenas de procuradores-gerais de estados norte-americanos. Segundo registros judiciais, a Disney exigiu que o negócio fosse concluído por meio de um processo de falência justamente devido às reservas de caixa em declínio e aos elevados riscos regulatórios da empresa.
O arranjo envolve transações interconectadas. Em setembro, a Disney pagou 5,5 milhões de dólares e um depósito reembolsável de 2 milhões de dólares, além de contratar a maioria dos funcionários da Character.AI. A startup entrou com pedido de falência sob o capítulo 11. Por meio do processo judicial, a Disney busca garantir uma licença perpétua e mundial para códigos, ferramentas de moderação de segurança e tecnologia de predição de idade da empresa, enquanto o que restar da Character.AI manterá a responsabilidade pelas batalhas legais em andamento.
Especialistas em direito corporativo ouvidos pela fonte apontam que o modelo representa uma versão incomum de aquisição reversa de talentos e ativos, estruturada de forma a isolar o comprador de eventuais passivos e obrigações jurídicas. Representantes de estados envolvidos nas investigações indicaram que pretendem reservar o direito de contestar os termos do plano de falência.
Fonte: Disney Asked Character.AI to Go Bankrupt for a Get-Out-of-Lawsuits Card