Empresas de inteligência artificial e laboratórios da área têm recorrido à compra de registros antigos de trabalho, incluindo documentos, e-mails, mensagens de aplicativos como Slack e transcrições de chamadas, para treinar modelos mais avançados, de acordo com reportagem da newsletter Backchannel de Steven Levy e Lauren Goode. Com os dados públicos tradicionais esgotados, startups e empresas de aquisição de dados estão movimentando bilhões de dólares para adquirir dados corporativos privados.
Empresas como Mercor, Handshake e Micro1 lideram esse mercado de aquisição, fechando acordos com companhias de diversos portes, teses acadêmicas de estudantes de pós-graduação e até mesmo auxiliando startups que estão encerrando suas atividades a empacotar e anonimizar seus dados para venda. Líderes do setor estimam que os gastos anuais com dados de treinamento possam saltar drasticamente nos próximos anos.
A busca por dados brutos e reais do ambiente de trabalho tem gerado conflitos. Recentemente, a disputa pelos ativos digitais da falida Spirit Airlines — que incluíam milhões de arquivos e mensagens internas — colocou o Google e a startup Micro1 em disputa. A situação travou após o sindicato dos comissários de voo contestar a venda, apontando riscos de vazamento de informações privadas de funcionários contidas nas mensagens e e-mails não estruturados.
Especialistas em privacidade e críticos apontam que o processo de anonimização pode não ser suficiente para eliminar completamente dados pessoais sensíveis. Além disso, há preocupações éticas de que o esforço sirva para coletar dados de trabalhadores sem consentimento explícito, alimentando tecnologias cujo objetivo final pode ser a automação e substituição de tarefas humanas.
Fonte: AI Companies Really, Really Want to Buy Your Work Files and Emails