De acordo com dados da AARP citados na fonte, dezenas de milhões de americanos dedicam horas semanais ao cuidado de adultos ou crianças com deficiências e condições médicas, enfrentando desafios como isolamento, impacto na saúde e sobrecarga financeira. Para tentar amenizar a rotina exaustiva de gerenciar terapias, medicamentos e consultas, diferentes aplicativos têm surgido no mercado com foco no suporte aos cuidadores.
Ferramentas e o uso de tecnologias
Diferentes plataformas oferecem recursos variados para atender às necessidades específicas das famílias:
- Medisafe: Criado em 2013, monitora medicamentos, envia lembretes, avisa sobre doses perdidas e conta com um verificador de interação medicamentosa.
- Caring Village: Lançado em 2015, inclui calendário de compromissos, listas de tarefas, diário de bem-estar e conta com um assistente de inteligência artificial chamado Julia.
- Mejo: Desenvolvido em 2022 por Bret Koncak, consolida o histórico médico em um resumo de uma página para facilitar a comunicação entre cuidadores e profissionais de saúde.
- Briggzy: Em fase de testes e criado por Brett Rowell, busca integrar a rotina de cuidados entre cônjuges que trabalham em horários diferentes.
- Citizen Health: Lançado em 2024 por Nasha Fitter e Farid Vij, coleta e organiza registros médicos. Recentemente, a plataforma introduziu uma inteligência artificial em beta chamada Ari, que atua como um companheiro de saúde para acompanhar sintomas, preparar para consultas e auxiliar em questões de seguro.
Desafios, privacidade e limites da tecnologia
Apesar do otimismo de especialistas como o pesquisador de direito da saúde I. Glenn Cohen, da Universidade Harvard, em relação ao potencial da inteligência artificial para preparar pacientes para consultas, existem riscos importantes. Cohen aponta que a maioria dessas ferramentas não é classificada como dispositivo médico e não passa por avaliações rigorosas da FDA quanto à segurança e eficácia.
Outro ponto de atenção levantado é a privacidade: as informações inseridas pelos usuários nesses aplicativos geralmente não são protegidas por leis federais como a HIPAA, ficando a segurança dos dados restrita aos termos contratuais das empresas desenvolvedoras.
Especialistas também alertam que o uso contínuo pode ser dificultado pela própria exaustão dos cuidadores. Denise M. Brown, da Caregiving Years Training Academy, destaca que manter os aplicativos atualizados exige esforço e que a responsabilidade de inserir dados quase sempre recai sobre o próprio cuidador, o que pode tornar a ferramenta tediosa a longo prazo.
Por fim, Nicole Howell, do Conselho Nacional sobre o Envelhecimento, ressalta que, embora a tecnologia ajude a abrir portas para uma melhor integração dos cuidados, a solução para a crise atual exige o envolvimento conjunto de governos, setor privado e famílias.
Fonte: Apps for Caregivers Get a Dose of AI, but That Might Not Be Enough